OPINIÃO - POLÍTICA
Numa altura em que o país político se encontra à espera de grandes decisões é conveniente estabelecer prioridades. A esquerda mais radical faz a opção de sempre: a aposta no miserabilismo como mercado eleitoral. Por outro lado, o PS encontra-se em processo de autoflagelação. Entre as declarações irresponsáveis e infelizes de Capoulas Santos e António Costa a desafiarem a apresentação de uma moção de censura - no momento em que o Orçamento é discutido, e em que o PEC não foi entregue - e alguns silêncios profundos de quem espera a sua hora, a situação do partido vagueia entre a desorientação e a inconsistência.
Esta é então altura de grandes desafios para o centro-direita. Os seus dois partidos encontram-se em situações diferentes. O PSD a fazer escolhas internas, e sem uma direcção política clara. O CDS unido, com uma estratégia e propostas transparentes. Mas à parte das circunstâncias, perante o estado de degradação do primeiro-ministro convém pensar o espaço político alternativo consistentemente. A manutenção artificial de um Governo que é cada vez mais nocivo e com uma legitimidade eleitoral menor pode não passar do curto prazo.
Perante isto, é evidente a necessidade de considerar um acordo político que garanta a maioria absoluta e seja alternativo. Acordo que passe pela afirmação e concretização da liberdade, com especial relevância para a liberdade económica das empresas. Mas também a definição do papel do Estado que cobre menos impostos, não asfixie o mercado, antes o regule, bem como proporcione as condições necessárias para a criação de riqueza num Portugal competitivo. E a determinação de regras de transparência no exercício de cargos públicos. Estas poderão ser as raízes de um projecto que exige acordos e poderá assumir diversas formas. Mas qualquer delas deve permitir que, a uma só voz, este seja o projecto para Portugal.
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