OPINIÃO - POLÍTICA
Muitos adolescentes conhecem bem aqueles livros em que, com muita paciência, se tem de encontrar um pequeno boneco no meio de muitos detalhes. Para treinar a atenção este é um exercício fundamental. Nem sempre se consegue chegar a bom termo e muitas vezes passam-se horas até se chegar ao resultado pretendido - encontrar o Wally.
Este livro não tem grandes novidades. É um pouco como a situação nacional. Todos nós sabemos que é necessário controlar o défice, a dívida e promover reformas estruturais com vista a um crescimento sustentado. Repetem-se declarações, colóquios, debates televisivos, discussões entre economistas, mas no fim o resultado é sempre o mesmo. Nem por isso, as contas se controlam ou as reformas se fazem.
É muito mais fácil culpar os outros. A Oposição, a Alemanha, a situação da União Europeia, os governos anteriores, tudo serve como desculpa para José Sócrates desviar as atenções sobre o essencial.
Este Governo convenceu-se que bastava declarar o progresso para que ele fosse irreversível. Continuou a fazer de conta que não gastava de mais, que não prometera demasiado a toda a gente, e que fora capaz de traçar uma estratégia económica e financeira coerente para o colectivo sobreendividado que hoje somos. Mas as reformas ficaram pelo papel, ou no moderno power point, e não se fizeram.
Esquece-se José Sócrates que governa desde Março de 2005. Omite que nestes penosos cinco anos não foi capaz de avançar com as necessárias reformas laborais, na Justiça, mais condições de investimento, na Educação, ou no mercado imobiliário. Para o primeiro-ministro resistir rima com desistir. Desistir de planear o futuro.
Prefere instigar nacionalismos bacocos, pois considera preferível atacar a Alemanha a fazer um juízo sobre as lacunas internas. Vai a Berlim ouvir elogios de circunstância, e esconde que na hora da verdade Angela lhe pergunta, pensando nas reformas estruturais "afinal, José, onde está o Wally?".
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