OPINIÃO - POLÍTICA
O Bloco de Esquerda nasceu em 1998, tendo na sua génese três partidos que tentavam fazer uma reflexão e aplicação actualizada do marxismo. O seu aparecimento na cena política nacional foi acompanhado de um dilema estratégico. A força eleitoral do BE foi-se tornando a sua debilidade. Diria mesmo a sua maior debilidade. O crescimento conseguido em sucessivas eleições legislativas, europeias e os resultados dos candidatos próprios a eleições presidenciais atingiram o seu resultado máximo, razão pela qual o dilema se agudizou. A escolha passa agora por uma aproximação ao PS ou o acantonamento à esquerda, rivalizando com o PCP o que está a criar uma enorme desorientação. Porém, o país não tem culpa destas deambulações estratégicas do BE.
O esplendor máximo disto mesmo é a apresentação de uma moção de censura a prazo. Daqui a um mês o BE censurará o Governo de José Sócrates. A ânsia de, perante uma reflexão do PCP, ser mais rápido que a sua própria sombra, levou Louçã a cometer um erro de palmatória. De pouco interessam as patuscas e contraditórias declarações de altos responsáveis do BE sobre a utilidade de uma moção de censura. O que releva é que, objectivamente, esta jogada do BE dará a Sócrates a vitória de que este precisava. Essa é a verdade mais clara em todo este processo.
Quem, num cenário de maioria relativa, apresenta uma moção de censura por razões tácticas, sem qualquer concertação com a restante oposição, e não contrapondo uma alternativa credível é totalmente irresponsável. Por muito que Louçã afirme que "a esquerda é inteira ou não é", a alternativa a Sócrates não passa pela sua esquerda mas, antes, pelo centro-direita. Porque a esquerda de Louçã não vai reformular o anticapitalismo primário nem a desconfiança face à iniciativa privada. E vai, para além disso, continuar a falhar nas reformas essenciais da Justiça, Educação e Economia. É por isso que os eleitores depositam cada vez mais a sua confiança no outro lado do espectro político. É por isso que o CDS fez bem em abster-se nesta moção desastrada. O caminho que o CDS defende é bem diferente do preconizado pelo Bloco de Esquerda com os seus favores a José Sócrates. Ainda bem.
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