OPINIÃO - POLÍTICA
O ano que está a acabar foi estranho. Para além de se ter estado a discutir uma crise que agora se começa a sentir nos bolsos dos portugueses, no plano político, a indefinição foi total. Tudo se materializa numa expressão nova: dívida soberana. Aqui a novidade está na conjugação. Todos sabem o que é dívida, e ninguém duvida do sentido da expressão soberana. Agora as duas juntas correspondem a uma entidade distante, mas aterradora. Ao ouvir os noticiários sobre o aumento dos juros a pagar pela divida soberana emitida, os portugueses ficavam assustados e alguns políticos desorientados.
Para quem conhece bem as histórias de banda desenhada, a dívida soberana foi em 2010 uma espécie de Mancha Negra. Levou os mais variados actores da vida pública a dissertarem, com ar grave, sobre as dificuldades do país. Foi a dívida soberana que causou grandes dores de cabeça à chanceler Ângela Merkel. Trouxe as mais diferentes teorias sobre a solidariedade europeia. E foi também a dívida soberana que deu um fôlego suplementar aos críticos do "neo liberalismo". O mercado e os especuladores foram de forma simplista considerados os grandes culpados da desgraça nacional.
Infelizmente tudo se mantém numa espécie de penumbra. Ninguém quer definir nada. O exercício do Governo parece que queima. As reformas servem para encher muitos jornais, e alguns discursos diletantes, mas não passam à prática. E Portugal parece esperar que o ano 2011 seja dominado por uma sigla. Com isso não teremos uma desgraça, mas sinceramente quanto mais tarde resolvermos os nossos problemas estruturais - educação, justiça, condições de investimento, mundo laboral, e forma de funcionamento da Administração Pública - pior será. E já estou como o outro. É que não havia necessidade.
PS - Aos leitores e colaboradores do Jornal de Notícias desejo um Feliz Natal e um ano de 2011 com todo o sucesso.
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