OPINIÃO - POLÍTICA
Na última crónica deambulei pelas principais linhas de conclusão de um novo posicionamento dos partidos de Centro-Direita. Ninguém com razoabilidade nega que a ponderação de forças à Direita se alterou, e que o PSD sozinho não ganha ao PS, como provam as eleições legislativas, a perda de várias autarquias pelo PSD, ou os resultados em grandes centros urbanos, como Porto, Vila Nova de Gaia, Sintra e Cascais. Tudo isto levará a alterações nesse espaço político.
A Direita nacional tem de, finalmente, gerir bem as suas vantagens sobre uma Esquerda que manifestamente não tem um patamar mínimo de entendimento. De facto, entre os partidos à Esquerda não há qualquer possibilidade de acordo nas questões institucionais e económicas relevantes, que vão desde a participação de Portugal na União Europeia e na OTAN, até à aceitação das empresas como motor para o crescimento numa economia de mercado.
Tudo isto se reflecte na impossibilidade objectiva de acordos relevantes, seja quanto a políticas concretas, seja relativamente a candidaturas únicas às distintas eleições, desde as Assembleias de Freguesia até à Presidência da República. Assim, apenas sobram à Esquerda as mais ou menos modernas causas fracturantes.
Perante este cenário, Manuel Alegre várias vezes afirmou desejar entendimentos à Esquerda, pois na sua opinião essa possibilidade não seria um direito exclusivo da Direita. Ora sucede que o sentido de responsabilidade impede acordos com partidos como o PCP ou BE, e exige que não se criem condições artificiais de instabilidade.
É importante entender que o eleitorado quis que Portugal fosse governado sem maioria absoluta. Deste modo, o país e a Direita precisam de muita maturidade. Maturidade para não entrar em golpes políticos sem sentido. Maturidade para propor sem inflexões uma política fiscal que respeite os direitos dos contribuintes e alivie o seu esforço fiscal. Maturidade para influenciar as políticas de educação e saúde que necessitam de maior liberdade de escolha.
Enfim, é dos partidos de Centro-Direita que os portugueses não esperam surpresas, mas transparência, clareza, e institucionalismo. Transparência nas opções políticas. Clareza nas decisões estratégicas, como o apoio a um candidato único nas próximas eleições presidenciais, naturalmente o prof. Cavaco Silva. Institucionalismo no relacionamento com o Governo. Todos estarão prontos para isso? Seria bom. Apenas sei que o CDS, seguramente, está.
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