OPINIÃO - POLÍTICA
Nos passados anos noventa, o então Presidente da República Mário Soares lançou o direito à indignação e a reflexão sobre o nosso destino colectivo, sob a forma "Portugal que futuro?". Vários acontecimentos dos últimos meses fazem com que recorde o direito à resistência. A cidadania tem de reagir às mais diversas violações dos direitos essenciais num Estado de Direito Democrático. Já não é possível estar impávido e sereno quando se assiste ao lançamento de impostos que são aplicados hoje a situações passadas ou quando se assiste às mais diversas e sistemáticas violações do princípio da solidariedade territorial.
Quanto à primeira situação sublinho as sábias palavras do Prof. Jorge Miranda, quanto à segunda não me fico pela questão das SCUTS. Governo após governo vão sendo repetidas as atitudes centralistas de quem pensa que tudo se reduz a São Bento e seus arredores. Vamos assistindo ao evoluir de um país com maiores e cada vez mais graves desequilíbrios, em que a riqueza está concentrada numa só região e a um interior que se desertifica para um litoral superpovoado.
O caso das SCUTS é apenas um exemplo da forma como certas regiões são esquecidas. Não sou a favor de auto-estradas em que não se paga mas já agora e se não for muito incómodo, apliquem esse princípio de forma genérica.
Ao Governo que ainda nos governa peço um pequeno favor: perca uns breves minutos a ler o excelente discurso do Presidente da República no passado dia 25 de Abril. Poderão ver ai referências à importância do Porto como centro atractivo, à relevância das indústrias criativas, à vida cultural e artística enquanto potencial centro de desenvolvimento, e toda a importância que o Porto liberal pode ter num país que está deprimido e em dificuldades.
Dou um conselho: apressem-se a fazê-lo senão, mais dia menos dia, alguém relembrará a letra da canção dos Delfins, também celebrizada pelos Resistência, de acordo com a qual "Mais do que a um país...mais do que a um passado, que a uma história ou tradição tu pertences a ti não és de ninguém". É que o direito de resistência é um direito individual de quem já começa a ficar farto, mas é também um direito colectivo daqueles que não desistem de ser membros de pleno direito de um todo nacional que tem de ser capaz de estar à altura da sua história e dos desafios do presente e do futuro.
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